Hoje a previsão meteorológica prevê mau tempo. Mas não é chuva nem vento nem trovoada. Ao invés desses termos já tão nossos conhecidos, os senhores do tempo prevêem pancadas de água.
Confesso que tive medo. Só me imaginei a ir pela rua a dobrar uma esquina e levar uma pancada de água pelas trombas que me deitasse ao chão.
Ah, é uma pancada, mas é uma pancada de água, dizem vocês. Pois, pois, nunca ouviram dizer que se cairmos de uma ponte para um rio, quando atingimos a água é como se fosse cimento? Eu sei que tem a ver com a altura de que caímos e da velocidade que levamos, mas também ninguém sabe a que velocidade vem uma pancada de água pois não? E mesmo que nem venha muito depressa, a pancada de água será na melhor das hipóteses, se nos atingir, claro, como levar com um pau nas costas, nas pernas, nos braços e onde calhar. Sim, porque bem sabemos que a água se mete em todo o lado, ainda para mais munida com este instinto sádico concedido pelas instâncias do céu.
Quando vi na meteorologia que estavam previstas pancadas de água, confesso que me imaginei com nódoas negras e com o corpo todo moidinho. A sério, foi uma visão instantânea que me fez soltar uma gargalhada, não por ser masoquista, mas pelo absurdo da situação. O que é que te aconteceu, pá? Sabes lá, esqueci-me do chapéu de chuva em carbono e fui apanhado na baixa por uma pancada de água, nem te conto... Eh, pá, já me aconteceu, cala-te lá, tive que fugir quatro quarteirões até não aguentar mais e entrar numa Casa das Sandes até aquilo passar.
Estão sempre a mudar as coisas e uma pessoa tem que se ir adaptando, claro, se não perde o comboio das gerações. Já não sei se é culpa destas tecnologias todas, em que trazemos a previsão meteorológica metida no bolso dentro do telemóvel, ou se é das estacões andarem todas ao contrário de há uns anos para cá.

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