+1 Ano dE viDA

Já me tinham falado nisto, mas face à forma como sempre vivi como adulto, nunca tinha ligado, mas a realidade é que me encaixo no padrão. Eu passo a explicar. 

Sempre dormi pouco. Minto. Quando era mais novo, aí até aos dezassete ou dezoito coisa menos coisa, dormia mais, preguiça típica de adolescente, chegando ao cúmulo, e não sei se alguém passou por isso, de ser chamado ao sábado ou ao domingo pela mãe ou pela avó já para ir almoçar. Era bom de facto, tomar um pequeno almoço com bife e batatas fritas à uma e meia da tarde. Talvez por isso ainda hoje, aprecie tanto o brunch domingueiro dos Brits. Mas depois dessa fase tenho consciência que a coisa alterou-se. Mais por circunstâncias da vida do que por opção explicita. As noites eram
longas e os compromissos diurnos inadiáveis. Logo, menos tempo a dormir.

Os anos foram passando e o hábito não se alterou. Eu sei que os médicos aconselham pelo menos oito horas de sono e tal, e todos sabemos que o corpo precisa de se regenerar e é durante o sono que ele faz isso. Principalmente se andarmos a treinar. E nessas alturas até eu me forço a dormir  mais um pouco para ter mais rendimento. Mas tirando isso...

Já lá dizia Napoleão Bonaparte, que para uma noite de sono, são seis horas para um homem, sete para uma mulher e oito para um louco. Mas ele também não é grande  exemplo vá, porque morreu relativamente novo. Mas também não foi de dormir apenas quatro horas por noite. Dizem sim, que foi do arsénio que tomava para o cancro do estômago.

Bom, mas vamos a factos. Utilizemos como comparação um homem comum que durma 6 a 8 horas por noite. Eu, que durmo normalmente, 4 a 6 horas, durmo em média menos 2 horas, certo? Então, se estiver acordado mais 2 horas por dia em média, estarei a aproveitar mais duas horas da vida acordado. Se por cada dia viver acordado mais 2 horas, ao fim de 14 dias terei vivido mais 24 horas. Ou seja, um dia a mais. 

Fazendo contas para trás e para a frente chego à conclusão que se dormir menos duas horas apenas durante os dias úteis e dormindo as horas normais do homem médio ao fim de semana, terei aproveitado cerca de 40 horas por semana. Tirando o mês de férias em que normalmente descansamos mais, ficamos com onze meses. Onze meses vezes as tais quarenta horas mensais, dá, contas redondas 440 horas extra a mais por ano. 

Avançando nas contas, que não vos quero maçar com aritmética, façam-nas vocês se tiverem dúvidas, posso dizer-vos que por cada ano, a dormir menos duas horas, vivo acordado mais 18 dias. O que ao fim de pouco mais de 20 anos, se traduz em mais de um um ano de vida acordado. Valerá a pena? Não sei. Eu não sei como levam a vossa vida, mas em comparação ao homem médio, e conheço muitos que vão para a caminha bem mais cedo do que eu, já levo mais 1 ano de vida. O que, com estas doenças esquisitas que andam para aí, é muito tempo.

E não me venham dizer que dormindo menos implica que se morra mais cedo, porque isso não está escrito em lado nenhum. E vocês se calhar, não fazem ideia da quantidade de pessoas que apenas dormem apenas quatro horas por noite, mas podem ver neste artigo algumas referências interessantes. É que nós, os que dormimos pouco, na realidade não estamos sós.

Epílogo 


Dormindo menos, na realidade não se vivem mais anos, mas vive-se mais a vida. Garantido.

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