Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe.

Apetecia-me escrever, mas não sabia sobre o quê. Aproveitei que me veio esta frase à cabeça, não sei bem porquê, e cá estamos. Às vezes lembro-me assim de frases soltas, provérbios e coisas afins vindas do nada. Surgem de repente e não descanso enquanto não as digo em voz alta. Claro que depois dou por mim a ser questionado pelos outros, a quem acabo por responder, nada, não é nada. E passo por excêntrico, no mínimo. Mas é que se não digo a frase ou a escrevo, fico com aquilo como quando ouvimos uma música chata de manhã na rádio e ficamos com ela o resto da manhã a trautear nas teclas da cabeça sem sair da sanfona da boca. Coisa que de chata, passa rapidamente a ser irritante em primeiro grau. Assim está o provérbio que me surgiu ainda há pouco, Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe. A frase fala por si e não necessita de explicações para quem tiver o mínimo de conhecimento empírico, leia-se, experiência de vida. Apenas gostaria de saber porque raio me lembrei disto. Nunca vos aconteceu isto? Vir uma ideia à cabeça sem nexo nem explicação? E nós ali, a tentar perceber o que motivou aquilo, uma trama densa que o nosso subconsciente teceu sem darmos conta.

Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe... E é isto que gosto nos provérbios. Conseguem ser tão genéricos, que se adaptam a tudo. E conseguem ser tão específicos para
aquilo que queremos exemplificar, que parecem talhados à mão com o cinzel da verdade suprema. Ora reparem como adapto facilmente este provérbio a esta crónica: 
Para aqueles que estão a gostar de ler, e não imagino quem possa estar a gostar de uma coisa destas, mas são gostos, garanto que em breve vai acabar, logo, Não há bem que sempre dure... Nem mal que nunca acabe, para aqueles que, com razão, acham o tema perfeitamente parvo e sem interesse. A esses, garanto que em breve também vai acabar. 

Como podem ver o provérbio encaixa que nem ginjas, esta é outra, que nem ginjas. Mas é verdade ou não é? É como no amor, primeiro gosta-se e é bom, mas não dura para sempre. Depois acaba e é mau, mas como mau que é, também um dia irá acabar, lá diz o ditado, outro nome muito usado para provérbio, e passará. Porque o tempo cura tudo, já lá diziam os antigos. O que custa mais é chorar no meio do desgosto enquanto passa e não passa. Mas como quem chora seus males espanta, acreditemos que seja assim e choremos, porque o que não nos mata torna-nos mais fortes, ou pelo menos ajuda a criar aquela espécie de calos, seja no corpo ou na alma, o que nos ajuda a continuar. Porque o amor não escolhe idade e O que é meu está guardado, dizemos nós alimentando a esperança. Esperança essa,  que por sinal é verde, segundo dizem.

E como estou farto desta salada russa de ditos populares, e crente nas críticas pouco lisonjeiras que farão deste chorrilho de parvoíces que aqui vos apresento, digo-vos em sinal de despedida que, A cavalo dado não se olha o dente, se quiserem ler coisa melhor, comprem um livro.

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