Tecem ternura as tuas mãos no meu rosto...
Um olhar triste que a boca evidencia;
Esta embriaguez sem vinho nem mosto,
Esta paixão no peito, este fogo posto...
Rasga-se um beijo nos teus lábios,
Que rasga a felicidade no meu sorriso;
Cantam sonetos os velhos e os sábios,
Gira o mundo num tic-tac impreciso...
Diz-me que isto não acaba aqui,
Rasga-me o medo de te perder -
Rasgo sem medo os pulsos por ti
Na condição de não te poder ter...
Tecem ternura as tuas mãos no meu rosto;
Momento terminal, coração estilhaçado -
Do peito deposto, da alma arrancado.
Tecem ternura as tuas mãos no meu rosto;
Rasga a saudade, gume no peito cravado,
Nó na voz, um desespero abafado.
Rasgo o silêncio na tua voz com o silêncio do meu olhar;
Rasgam teus lábios mil palavras, todas elas do verbo amar...
Rasgam-se os olhos hoje, em água e sal nesta noite vazia;
Rasgam-se as memórias, rasga-se quem fomos,
Rasga-se tudo neste rasgo de nostalgia...

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