Assanham-se os gatos àquela hora em que assumem a cor indefinida entre o preto e o branco, pardo como os antigos lhes chamam.
A chuva cai intermitente como a vontade quase nula de continuar a avançar. Os minutos sucedem-se afastando cada vez mais a esperança de voltar para trás. Ao desejo que ela leva no peito, sobrepõe-se o receio de nada encontrar se voltar para onde o deixou e onde o abraço de despedida soube a tão pouco. E assim vai continuando, mãos no volante, olhos na estrada que as curvas do caminho são traiçoeiras.
O hipnotismo da estrada mistura-lhe os pensamentos soltos que pairam à sua volta num emaranhando de emoções. Aquilo que acabou de ser com aquilo que ainda será...
O que o futuro irá trazer ninguém sabe, e muito menos eu, pensou ela com um aperto no peito sentindo o amargo do receio que lhe chegava à boca.
O mau das coisas boas, é que podem sempre acabar.
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