Nostálgica vai a tarde em odores de primavera. Bucólica tez têm as paisagens ao redor num semblante morno que o sol se encarregou de aquecer banhando a terra com a sua luz.
Nostálgica vai a tarde sem ninguém que compreenda o que os olhos vêem. O que é que tens assim de tão estranho para que as pessoas não compreendam, perguntaste tu. Não percebo, continuaste, porque é que não te compreendem quando eu compreendo tão bem aquilo que aí trazes...
Nostálgica foi a tarde, em flor, flores brancas por sinal, ornamentando os ramos das árvores de fruto que irão alimentar os pássaros no final das tardes estivais, na velha organização caótica que a natureza tão bem desempenha. Uma complexidade deitada por terra na banalidade dos dias a que a natureza nos habituou.
Florescem também nos ramos as flores da árvore da solidão ao canto do pomar. Alimenta-se da falta do calor das tuas mãos no meu rosto. Alimenta-se da falta que os teus braços fazem ao redor do meu pescoço. E o adubo ao redor das suas raízes são todos os beijos que não me pudeste dar.
O que é que tens assim de tão estranho para que as pessoas não compreendam, perguntaste tu. Não sei, respondi eu pensativo analisando o que me acabaras de perguntar. Se calhar, respondi eu sentindo o sol na pele, o meu pomar tem frutos exóticos que ninguém aprecia ou apenas frutos banais que toda a gente ignora. Seja como for, quando estás comigo, a árvore ao canto do pomar desaparece e a nostalgia dá lugar à paz.
Nostálgica foi a tarde, solitária, porque nada te pude mostrar.
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