Puta que pariu! Existem merdas que nos marcam e a amizade é uma delas...
Por falar em amizade, leiam-me esta crónica de um amigo meu. ALI EM BAIXO!... O André, o duas riscas, já vos falei dele. Vale a pena. A crónica...
"Mais um dia de manhã, dia em que o patrão me deixa fazer exercício físico. Ainda bem, uma horinha ao ar livre a pisar o alcatrão, a respirar o fumo dos escapes misturado com a brisa refrescante do rio. Mp3 preso no elástico dos calções, volume quase ao máximo e lá vamos nós. Nós, porque ainda penso que estou acompanhado, como era hábito. O antigo patrão vem comigo, e para além de vir, incentiva-me a percorrer mais e mais rápido, a dar duzentos por cento, até não aguentar mais, porque 'A dor é momentânea… A glória é eterna'. Lamechas não é? Mas resultava. O antigo patrão não está cá. Mas está.
As pérolas da vida nascem nos sítios mais improváveis. E quando as descobrimos, embarga-se-nos a voz assim de repente e chegamos à conclusão que é um privilégio... Um privilégio ter amigos e aprender com eles, porque a amizade é ensinar e aprender nos dias de cumplicidade que passamos juntos. É um trabalho constante que não nos apercebemos. Um trabalho que não é trabalho, mas que leva o seu tempo, porque a amizade não vai lá com farinhas para a engorda.
A amizade tem respeito e admiração, sacrifício e benesses, preocupação genuína mesmo nas pequenas coisas. A amizade tem palavras ditas e palavras mudas, é austera porque diz o que deve dizer mesmo quando mais ninguém diz. A amizade é gargalhada pura e humor refinado, isto claro para quem tem amigos inteligentes, mas ao fim e ao cabo, a amizade é tão natural como a sua sede. Por isso meus amigos, vai uma grade de minis para o gelo que em breve é dia de são celebrar.
Por falar em amizade, leiam-me esta crónica de um amigo meu. ALI EM BAIXO!... O André, o duas riscas, já vos falei dele. Vale a pena. A crónica...
PM
"Mais um dia de manhã, dia em que o patrão me deixa fazer exercício físico. Ainda bem, uma horinha ao ar livre a pisar o alcatrão, a respirar o fumo dos escapes misturado com a brisa refrescante do rio. Mp3 preso no elástico dos calções, volume quase ao máximo e lá vamos nós. Nós, porque ainda penso que estou acompanhado, como era hábito. O antigo patrão vem comigo, e para além de vir, incentiva-me a percorrer mais e mais rápido, a dar duzentos por cento, até não aguentar mais, porque 'A dor é momentânea… A glória é eterna'. Lamechas não é? Mas resultava. O antigo patrão não está cá. Mas está.
O fumo dos escapes fica para trás e vejo agora o sol a espreitar por entre as nuvens, a tentar exibir o seu reflexo, ainda que ténue, na água calma do rio. Olho para a frente e vem outro corredor. Cruzamos olhares e dizemos tudo sem dizer nada. Desejamos um bom treino, dizemos-lhe que percebemos o seu sofrimento, que passamos pelo mesmo e damos um incentivo a continuar. Ao meu lado estás tu, a olhar para o relógio e a dizer, bom tempo miúdo, bom tempo, mas podia ser melhor! Ou estavas, agora sou eu que olho para o relógio, mas sem qualquer incentivo, a não ser o meu, para me levar a continuar, porque o novo patrão não vem comigo, não vem com ninguém. O novo patrão está cá mas não está.
A voltar para trás, respiração ofegante, as pernas a gritarem para parar, mas a recompensa de continuar é maior. Chego ao meu destino. Já não há marcações no quadro dos tempos feitos, já não há gritos de incentivo, já não há competição amigável. O que se passa? Perguntei eu. E com um sorriso rasgado, respondem-me, O chefe hoje não está! Excelente notícia. Nada de trabalho desnecessário, nada de piadas sem piada. Só nós, como era antigamente. Para os presentes, ainda cá estás, a contar histórias, a dizer piadas, a liderar…
Falamos entre nós sobre o tão bom que era quando estavas cá, quando nos castigavas, chamavas nomes, quando nos corrigias, quando nos protegias. Quando nos melhoravas.
Os dias vão passando, mas a memória não desaparece, todos os dias olhamos para a porta à espera que chegues e que digas, Bom dia estúpidos! Vamos correr! E por entre sussurros discutíamos de quem era a vez de ir ao castigo. Até à ponte e voltar. É engraçado que o castigo passou a ser um desejo que agora com grado faríamos.
O novo patrão está cá, mas era o antigo que devia estar."
Autor:
André Estevão


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