E quando os teus olhos na esquina do tempo,
Se cruzam com os meus, num momento fugaz vejo,
Numa caixa forrada de estrelas que seguras nas mãos,
O fogo e o vento que te corre no sangue,
As certezas do riso, as dúvidas da alma que
Apenas à noite de insónia confessas -
E nessa esquina do tempo, onde mais nada existe…
És tu.
E depois desse tempo perfilado num segundo,
Tudo é nada novamente - uma saudade;
E quando te permites pousar sobre as mãos
A cabeça cansada em dois minutos de solidão,
No intímo dos olhos fechados,
Rompes as cordas da rotina que te amarra
Com a lâmina rebelde do teu nome;
E sem olhar para trás, braços abertos,
Inalando num grito a liberdade do ar do mundo,
És tu…

E deitam-se os olhos
Na tez suave e morena da curva do teu pescoço -
Uma brisa que te desperta num arrepio,
Palavras que não lês nem relês,
Porque é no silêncio que buscas
Um conforto secreto e esquecido…


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