kEira

Queira a vida que feliz sejas,
Pois é já teu sorriso aprendiz da felicidade;
São teus olhos porém, reféns dos dias - 
Atraiçoada pelo olhar mudo, incapaz de gritar…

Porque és vento, fugidio, impossível de agarrar,
És fogo, brasa dormente, labareda até queimar,
Brisa suave que me toca no rosto,
Língua de fogo, fogo posto,
Na planície da pele onde a alma não sabe amar.

E acordas amanhã, de um sonho inexistente,
Porque esse mundo é mundo apenas dentro de mim,
Onde da alma os poros transpiram a tua essência -
Um perfume deixado nas mãos e que nunca tem fim.

Queira a vida que entendas o que há para entender
Com discernimento e sem dormência,
Queiras tu querer entender o que há para saborear;
Queira o tempo que nunca esqueças,
Porque mesmo partindo pode-se sempre voltar…

Esquecer é deixar morrer algo dentro de nós - 
Queiras tu, deste lume as centelhas recordar,
Dizendo-o no silêncio intimo e secreto da tua voz…

Queira tanta coisa, queira nada,
Queira sem pretensiosismo, sem exigência;
Queira sem querer que sou do contra,
Queira que morra sem queixa ou ocorrência;
Queira que desapareça, queira que nunca fuja,
Queira que não doa, queira que me arrebate,
Queira tudo desde que não mate…



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