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O vão de escada onde pernoitei… -
Saudades daqueles dezassete,
Saudades de não ter nada.

Naquela noite em que me beijaste -
Naquele mesmo vão de escada, onde,
Os nossos corpos foram clandestina tempestade
No meio de uma enorme trovoada…

O mar, na penumbra da madrugada -
E nós, na penumbra um do outro
Rasgávamos a raiva de partir;
Feridos na imensidão do olhar,
Feridos, apenas por amar, pensando,
Que dor tão grande advém de apenas sentir?

Naquela noite, no vão de escada onde pernoitei,
Soube que não é amar, mas partir que faz chorar,
É partir que nos faz doer, é nao ter, é não poder agarrar…

Na noite em que morreste,
Acenderam os pescadores fogueiras na praia,
Naquela mesma praia,
Junto àquele mesmo mar,
Onde estas mesmas mãos,
Sentindo a areia molhada,

Nada mais têm para segurar…


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