Good Bye mY Love

Antes de te conhecer já te amava, porque era uma coisa destinada.

Amar-te era a minha missão e o meu castigo. Uma daquelas coisas que tinha de ser. Crescer no leito dos meus erros e sofrer por eles, sofrer por ti em antecipação, pelos erros que irias ainda cometer. Sofreste por me amar. Sofres por me amar. Por tudo o que de bom tem e pelos momentos aflitos de me perderes - e foram tantos... Perdoa-me.
É assim que sofro, quando discutimos na rotina dos dias. É assim que me apetece morrer, porque odeio discutir contigo - uma espécie de vontade fulminante de morrer. É assim que sofro por cada pensamento de te perder. É assim que se sofre por amar, porque se perde... Porque é a única forma de sofrer. Perdendo. E perdi-te tantas vezes. E da mesma forma perdeste-me.


Caio no abismo de outrora, um abismo de vícios onde a noite é a melhor companhia. A noite, que afinal é o pior. A noite que é o mais difícil de passar. A noite calada dos silêncios. De dia há barulho, valha-nos isso, mas a noite dói. Uma solidão, quando apenas precisamos de um abraço, o teu abraço, mas onde a distância da cama parece um infinito, um aperto no peito, uma insónia dolorosa. Apenas um abraço, o consolo de te amar na luxúria do nosso desejo. Mas afinal, nada... Apenas um respirar pesado do outro lado de quem dorme profundamente -  um soco no estômago.

Ficam os vícios da noite, vícios que apenas eu conheço porque este mundo é só  meu - levanto-me e deixo tudo para trás. Ignoras a minha ausência. E até isso magoa.
Good bye my love, disseste tu, mas não era para mim, era num sonho onde eu não era o teu melhor amigo. E até isso magoa.

Finalmente após tantos anos volto a mim, numa plenitude de vícios. No entanto, a realidade é outra. Nada retorna como era. Em vez dos amigos e da pista de dança e das ruas alaranjadas em plena madrugada, apenas o outro lado da rua onde moro e onde os cães ladram numa normalidade de subúrbios e onde a brisa fria me regela os ossos envelhecidos.
Valha-me o liquido dourado que me faz companhia no fundo do copo - lembra-me as noites da tua cidade. A tua cidade onde te comecei a amar anos antes de te conhecer.


Como te amei numa imagem romântica que desconhecia. Como te amo ainda hoje, e como sofro por tentar retornar à normalidade sabendo como é a natureza humana. Como te amo só eu sei. Nem tu…

Perco-me e deixo de ser quem sempre fui. Elevo-me, acredito eu... Liberto os maus feitios e transformo-os numa calma que desconhecia, e mesmo assim não chega. Tento chegar a ti, abraço-te na minha imaginação, abraço-te no escuro do quarto, mas apenas recebo o espaço da noite. E tu, tão longe… E quando tento afinal amar-te na luxúria do nosso desejo, apenas pressinto um encolher de ombros de como quem diz: lá terá que ser… E até isso magoa.

Good bye my love.

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