a Morte dA aMiZade


Se morrêssemos hoje, eu ou tu, o que seria o amanhã? Seria exactamente o que é hoje, que o mundo não se deixa abalar com tragédias, muito menos com mortes singulares. Somos erva alta levados pela enxurrada, uma árvore possante que o vento derruba e que a terra engole, uma montanha que um abalo deita abaixo.


Se morrêssemos hoje, eu ou tu, será que alguém nos diria? Será que me irias ver como nas tragédias de domingo à tarde, quando me faltassem as forças nos joelhos ao saber da tua partida? Será que iríamos chegar a tempo da cerimónia?

Chegássemos ou não, não faria diferença nas lágrimas mesmo secretas que choraríamos sem nos importarmos com a aparência. Porque se morrêssemos hoje, uma parte de nós estaria condenada a morrer automaticamente no dia em que soubéssemos que o outro morreu. E o mundo do outro, daquele a quem os joelhos iriam falhar e o nó se prenderia na garganta, mesmo depois de secar as lágrimas, seria um mundo mais vazio, mais solitário. Um mundo onde faltaria aquele alguém para se lembrar de nós quando mais ninguém o fizesse.


E se um de nós fosse eterno, morreria de solidão sem dúvida, se pudesse morrer…

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