Sempre que a vontade urge em deixar-me pendurado num terminal de comboios vazio onde o comboio que me iria levar aos sonhos de infância nunca partiu, repete-se a mesma música na minha cabeça como se de um sonho se tratasse sem vontade de acordar.
É neste momento em que a esperança morre. É neste momento em que a esperança morre de vez, sem ti.
Deixaste-me partido em duas faces do mesmo homem sem saber como lidar sem a tua presença no caminho onde os meus pés teimam em tropeçar. Nem andar quero tal é a força com que os braços se penduram do corpo dormente que não consigo anestesiar eficazmente. As mãos penduradas como um velho sem consciência já do seu corpo. Deste meu corpo que de nada vale sem os teus olhos a pintarem em mim a melhor versão que alguma vez tive.
É neste momento em que acordo num sobressalto como se o desespero de não te ter fosse real e aguardo pela tua presença no escuro. Ouço respirar-te profundamente e volto a ter esperança porque sei que te posso abraçar, volto a ter esperança porque sei que as palavras de amor serão devolvidas em afetos, mil pormenores de vida quotidiana que guardo como um puzzle de fotografias recortadas de paixão.


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